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    sexta-feira, 25 de novembro de 2016

    Veja o vídeo - Aos 65 anos, senhora divide a sala de aula com crianças no Paraná

    Senhora de 65 anos divide sala de aula com crianças de 5 e 6 anos no Paraná
    Aos 65 anos, Juscelina Maria Cruz Madalena – a Dona Nena, como é conhecida – decidiu bater na porta da Escola Municipal Monteiro Lobato, em Foz do Iguaçu: “Falei com a secretária: ‘Rose, não tem algum estudinho pra mim aí, não?'”.
    Proibida de estudar durante a infância pelo pai, que precisava dela na lavoura, e depois pelo marido, Dona Nena nunca desistiu do sonho de aprender a ler e escrever, para, quem sabe, ter uma profissão.
    “Sonho em ser uma professora, ser uma enfermagem”, diz. Quem compartilhou a história de Dona Nena nas redes sociais foi a jornalista de Foz do Iguaçu, Izabelle Ferrari.
    Segundo Izabelle, a curiosidade pela história surgiu em uma conversa com o primo João Vitor, de apenas seis anos, colega de classe de Nena. Na sala, a senhora de 65 anos assiste às aulas com 22 crianças que têm entre seis e sete anos.

    Sonho antigo

    “Quando eu era criança, meu pai não me deixou estudar, né? Só trabalhar na lavoura. Nós chorava, mas ele dizia que menina ‘muié’ não precisava estudar não. E a minha mãe dizia que estudar servia só pra escrever cartinha pros namorados”, conta.

    Anos mais tarde, casada, Dona Nena foi proibida de estudar pelo marido. “Comecei a estudar no Mobral, escondido dele. Um dia ele foi fuçar minha bolsa e viu meu caderno e meu lápis. Perguntou se eu estava estudando. Eu disse que tava sim. Sabe o que ele fez? Pegou meu caderno e rasgou todinho!”, relembra.
    Depois da briga, Nena desistiu dos estudos – por um tempo. Após a separação e com dois filhos criados, ela resolveu procurar a escola e pedir à diretora, Lídia Prieve, uma vaga. “Ela disse que, se eu quisesse vir, podia vir, mas ela não acreditou que eu viria mesmo…”, conta.
    Mas Dona Nena apareceu para a aula. “Elas ficaram emocionadas. Choravam e me abraçavam! Diziam que se todos fossem como eu, nosso país estaria bem!”, conta.
    O Conselho Escolar – formado por pais, alunos, professores e funcionários – aprovou a entrada de Nena na escola e a diretora e a coordenadora Miria Zwirtes acompanharam todo o processo, segundo Izabelle.




    Agora, Nena tem aulas com a professora Iracy da Costa Passos, que também tem 65 anos.
    “A diferença é que, pra criança, você fala uma vez e ela aprende. Para a pessoa de idade, você tem que repetir cinco, seis vezes. O entendimento é mais difícil. Mas isso não atrapalha o andamento da aula. Pelo contrário. Eu vou lá na carteira da Dona Nena e explico baixinho pra ela, mas as crianças não se aguentam: levantam e vão lá me ajudar. Aí, acabam aprendendo duas vezes!”, conta a professora.
    As crianças também adoram a colega e cobram sua presença. “As crianças vão lá em casa me buscar!”, conta Dona Nena, que deixa um conselho valioso: “Nunca é tarde. Nunca é tarde! Eu fico pensando assim: meu Deus, agora tá na minha vez!”, comemora.
    Veja as fotos feitas pela jornalista Izabelle na sala de aula:

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