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    quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

    Exército sírio anuncia retomada total de Aleppo

    Cidade está devastada pelas ofensivas do regime e mais de quatro anos de combates. Cruz Vermelha estima que pelo menos 34 mil pessoas saíram.

    Rebeldes sírios são retirados de Aleppo nesta quinta-feira (22) (Foto: YOUSSEF KARWASHAN / AFP)

    Exército da Síria anunciou nesta quinta-feira (22) que retomou totalmente a cidade de Aleppo. O último comboio que transportava rebeldes e civis saiu da cidade na noite desta quinta (horário local), segundo comunicado.

    A segunda maior cidade da Síria foi devastada por sucessivas ofensivas do regime e mais de quatro anos de combates, mas especialmente pelos bombardeios de exército sírio e de seu aliado russo nos últimos meses. As forças do governo ocupavam a zona oeste da cidade e, desde julho deste ano, formavam um cerco contra os rebeldes, que controlavam bairros do leste.
    "Os quatro últimos ônibus que transportam terroristas e suas famílias chegaram a Ramusa", bairro do sul de Aleppo controlado pelas tropas governamentais, indicou a televisão estatal síria.
    Trata-se da maior vitória do regime sírio desde 2011, quando teve início a guerra, segundo a agência France Presse. 
    "Graças ao sangue de nossos mártires e aos sacrifícios das nossas valentes forças armadas, assim como às forças auxiliares e aliadas (...), o Estado maior das Forças Armadas anuncia o retorno da segurança Em Aleppo, após sua libertação do terrorismo e dos terroristas e da saída dos que continuavam ali", diz o comunicado.
    Trinta e um observadores da ONU chegaram na zona leste da cidade para supervisionar a fase final da operação, segundo anunciou nesta quinta Jens Laerke, porta-voz do escritório de coordenação dos assuntos humanitários da ONU (Ocha). A medida responde a uma resolução adotada em 19 de dezembro pelo Conselho de Segurança.
    "O processo de retirada foi traumático, com aglomeração e pessoas vulneráveis ​​esperando por horas e expostas a temperaturas abaixo de zero", disse o porta-voz da ONU Farhan Haq a repórteres em Nova York.

    Operação de retirada

    Lançada em 15 de dezembro após um acordo promovido pela Rússia, Irã, e Turquia, que apoia a rebelião, a operação de evacuação sofreu vários atrasos devido à desconfiança entre os beligerantes, aos problemas logísticos e, desde quarta-feira, a uma nevasca que retardou o trânsito de veículos em direção aos territórios rebeldes. 
    Moradores de Aleppo e rebeldes são retirados em comboios de ônibus (Foto: AFP)
     De acordo com um novo relatório do CICV, cerca de 34 mil pessoas foram retiradas desde o início da operação no enclave rebelde. Mas não foi divulgado um número oficial.
    Munidos com armas de pequeno porte, rebeldes a bordo de vinte pickups, táxis e carros deixaram a cidade na parte da manhã, atravessando o posto de Ramussa, no sul de Aleppo, para chegar na zona rebelde a oeste da cidade, de acordo com um correspondente da AFP.
    Um mês antes do início da retirada dos rebeldes, em 15 de novembro, o regime lançou a sua mais recente ofensiva terrestre e aérea, despejando um dilúvio de fogo sobre os bairros rebeldes, onde dezenas de milhares de residentes eram submetidos a um cerco sufocante desde julho.

    Apoio russo

    O apoio militar russo e iraniano foi crucial para reverter a situação em favor do regime sírio. 

    Ônibus e ambulâncias que transportam essas pessoas estão saindo dos distritos no leste de Aleppo, passam por áreas sob o domínio das autoridades e depois se dirigem a lugares na região oeste (Foto: Syrian Army/Reuters)
     Em Moscou, o ministro da Defesa Sergei Shoigu anunciou que os bombardeios da aviação russa na Síria "liquidaram" 35.000 combatentes desde o início de sua intervenção em setembro de 2015.
    Aleppo "é uma derrota para todos os países hostis ao povo sírio e que usaram o terrorismo para satisfazer os seus interesses", declarou Assad nesta quinta-feira ao receber o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, antes do anúncio da retomada total da cidade.
    Enquanto muitas atrocidades foram cometidas durante a guerra na Síria, a Assembleia Geral da ONU aprovou a criação de um grupo de trabalho para preparar dossiês sobre crimes de guerra neste país, o primeiro passo para levar à justiça os responsáveis por estes crimes.
    O embaixador sírio na ONU, Bashar Jaafari, descreveu a iniciativa como um "ingerência flagrante nos assuntos" da Síria.

    Símbolo da guerra

    Aleppo, que já foi a capital econômica da Síria, virou o símbolo da guerra que devasta o país desde março de 2011 e que já provocou mais de 300 mil mortes.
    Segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), a guerra da Síria deixou mais de 300 mil mortos desde o início.
    O conflito foi desencadeado pela repressão das manifestações pacíficas pró-democracia, e tornou-se mais complexo ao longo dos anos, envolvendo múltiplos atores apoiados por várias potências regionais e internacionais.
    Nuvens de fumaça saem de prédios no bairro al-Zabdiya em Alepo, na Síria (Foto: AFP)

     Por G1

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