Liturgia da Palavra de hoje (16)

Primeira Leitura (Jr 17,5-10)

Leitura do Livro do Profeta Jeremias.
5Isto diz o Senhor: “Maldito o homem que confia no homem e faz consistir sua força na carne humana, enquanto o seu coração se afasta do Senhor; 6como os cardos no deserto, ele não vê chegar a floração, prefere vegetar-se na secura do ermo, em região salobra e desabitada.
7Bendito o homem que confia no Senhor, cuja esperança é o Senhor; 8é como a árvore plantada junto às águas, que estende as raízes em busca da umidade, por isso não teme a chegada do calor: sua folhagem mantém-se verde, não sofre míngua em tempo de seca e nunca deixa de dar frutos.
9Em tudo é enganador o coração, e isto é incurável; quem poderá conhecê-lo? 10Eu sou o Senhor, que perscruto o coração e provo os sentimentos, que dou a cada qual conforme o seu proceder e conforme o fruto de suas obras”.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Responsório (Sl 1)

— É feliz quem a Deus se confia!
— É feliz quem a Deus se confia!

— Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.
— Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.
— Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersa pelo vento. Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.

Evangelho (Lc 16,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias.
20Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas.
22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’.
25Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós’.
27O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!’
30O rico insistiu: ‘Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos”’.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Homilia
Nas portas de nossas casas, de nossas ruas e avenidas há muitos “Lázaros” caídos, prostrados, sedentos, famintos, precisando de pão, água, alimento, acolhimento e amor.
A questão que o Evangelho aponta, hoje, para nós é a indiferença, a arrogância, a opulência do rico esquecendo, deixando de lado, um pobre faminto que está à porta da sua casa. Ele [rico] está se banqueteando, está feliz com os bens e o dinheiro que tem, e promove muitas festas, mas nunca ligou para o pobre que está na porta da sua casa.
Veja o pobre Lázaro, mendigo, abandonado. Ele morre, e o rico também. O rico vai para os tormentos do inferno e o pobre vai para junto de Deus, para o seio de Abraão. Lá onde está, o rico suplica para que alguém molhe a sua língua, porque ele necessita de um alívio por todo o calor e sofrimento que passa. 
A resposta de Abraão é que há um abismo que separa aquele que está no Céu do que está vivendo a vida distante de Deus. Esse mesmo abismo há depois da morte entre aqueles que foram salvos, e os que não foram salvos, é o abismo que existe também no meio em que nós vivemos e estamos.
Infelizmente, há um grande abismo social que separa ricos e pobres, que permite a alguns banquetearam, terem comida para jogar fora e assim por diante; e tantos outros vivendo na miséria, passando fome e necessidade. E o que cria, sobretudo, este grande abismo é a indiferença dos que têm, para com aqueles que nada têm.
É importante que, neste tempo que estamos vivendo, tomemos consciência de que o problema e o sofrimento dos pobres é nosso. A fome, a sede, a necessidade, tudo aquilo que ele passa, não podemos nos comportar com indiferença!
Existem muitos Lázaros no meio de nós, existem muitas pessoas passando verdadeira fome, pobreza material, sem ter o que comer, o que vestir nem o que beber; e não podemos dizer que este problema não seja nosso. Não podemos ter a opulência do rico. Por mais que eu diga: “Eu não sou rico como ele!”, mas isso não é a questão. A questão que infligiu e afastou esse rico do Reino de Deus foi a sua indiferença para com aquele pobre que estava na porta da sua casa todos os dias.
Não sejamos indiferentes aos pobres nem à pobreza do mundo, não nos comportemos como se esse problema não fosse nosso. Todos nós precisamos abrir o nosso coração para acolher, amar e cuidar dos Lázaros que estão à porta de nossas casas!
Deus abençoe você!
Liturgia da Palavra de hoje (16) Liturgia da Palavra de hoje (16) Reviewed by Ricardo Adriano on março 16, 2017 Rating: 5

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