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    sexta-feira, 21 de abril de 2017

    Água da transposição muda visual, mas efeitos da seca ainda continuam na Paraíba

    Após cinco anos de seca, leito do Rio Paraíba recebe águas da transposição do Rio São Francisco (Foto: Artur Lira / G1)
    O chão no leito do Rio Paraíba rachado pela seca estala a cada centímetro que vai sendo molhado pelas águas da transposição do Rio São Francisco. Há cinco anos não passava água em abundância por aqui. De cima de uma rocha, sentados, um grupo de moradores assiste à água chegando, enchendo poços e seguindo seu rumo. A cidade é Cabaceiras, no Cariri paraibano, que tem o pior índice pluviométrico do Nordeste do Brasil. O impacto visual da água passando é forte, mas ainda vai levar um tempo para que os efeitos de seca cessem.

    Agricultor Tiago Guimarães aguardou com ansiedade a passagem da água pelo Rio Paraíba (Foto: Artur Lira / G1)
    A imagem da água passando pelo chão rachado foi capturada no sítio Jacaré, na zona rural do município, quando ela passava pelos últimos quilômetros antes de entrar na bacia do açude Epitácio Pessoa, conhecido como açude de Boqueirão, que está com apenas 3% da capacidade total.

    Há 35 dias, as águas da transposição do Rio São Francisco chegaram ao estado da Paraíba, através da cidade de Monteiro no Cariri paraibano. Por onde tem passado, a água tem causado uma impacto em meio à devastação.

    O agricultor Tiago Guimarães, 27 anos, mora no sítio Jacaré e nos últimos dias ficou monitorando o rio para acompanhar o momento da chegada “Pra ser sincero eu pensei que ia demorar mais. Por causa que aqui estava muito seco. Mas graças a Deus chegou. Faz muitos dias que essa água estava para chegar e ficava todo mundo olhando (o rio). É muito bom ter uma água que vai servir para beber, para dar aos bichos, plantar milho, feijão”, disse ele.

    Água ainda não pode ser usada


    Águas do São Francisco chegam à bacia de Boqueirão, na Paraíba (Foto: Isnaldo Cândido/Arquivo pessoal)
    Apesar da boa expectativa, a água que chega ainda não pode ser usada, pois precisa passar por tratamento. Também ainda está proibida a utilização da água para irrigação. A Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) está fazendo o cadastramento das famílias que moram a margem do leito do Rio Paraíba. “Quando o problema de abastecimento humano for resolvido, essas famílias vão pode usar a água através de outorgas que serão cedidas”, disse o presidente da Aesa, João Fernandes.

    Abastecimento humano


    Já o gerente regional da Companhia de Águas e Esgotos da Paraíba (Cagepa), Ronaldo Menezes, explica que, com a chegada das águas da transposição ao açude de Boqueirão, o reservatório deve levar de dois meses e meio a três meses para sair do volume morto. Nesta quarta-feira (12), o açude está com apenas 3% da capacidade total. O volume morto começa quando o nível está abaixo de 8,2%.

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