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    segunda-feira, 3 de abril de 2017

    Liturgia da Palavra de hoje (3)

    Primeira Leitura (Dn 13,41c-62)
    Leitura da Profecia de Daniel.
    Naqueles dias, 41ca assembleia condenou Susana à morte. 42Susana, porém, chorando, disse em voz alta: “Ó Deus eterno, que conheces as coisas escondidas e sabes tudo de antemão, antes que aconteça! 43Tu sabes que é falso o testemunho que levantaram contra mim! Estou condenada a morrer, quando nada fiz do que estes maldosamente inventaram a meu respeito!
    44O Senhor escutou sua voz. 45Enquanto a levavam para a execução, Deus suscitou o santo espírito de um adolescente, de nome Daniel. 46E ele clamou em alta voz: “Sou inocente do sangue desta mulher!”
    47Todo povo então voltou-se para ele e perguntou: “Que palavra é esta, que acabas de dizer?” 48De pé, no meio deles, Daniel respondeu: “Sois tão insensatos, filhos de Israel? Sem julgamento e sem conhecimento da causa verdadeira, condenais uma filha de Israel? 49Voltai a repetir o julgamento, pois é falso o testemunho que levantaram contra ela!”
    50Todo o povo voltou apressadamente, e outros anciãos disseram ao jovem: “Senta-te no meio de nós e dá-nos o teu parecer, pois Deus te deu a honra da velhice”. 51Falou então Daniel: “Mantende os dois separados, longe um do outro, e eu os julgarei”. 52Tendo sido separados, Daniel chamou um deles e lhe disse: “Velho encarquilhado no mal! Agora aparecem os pecados que estavas habituado a praticar. 53Fazias julgamentos injustos, condenando inocentes e absolvendo culpados, quando o Senhor ordena: ‘Não farás morrer o inocente e o justo!’ 54Pois bem, se é que viste, dize-me à sombra de que árvore os viste abraçados?” Ele respondeu: “À sombra de uma aroeira”.
    55Daniel replicou: “Mentiste com perfeição, contra a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus, tendo recebido já a sentença divina, vai rachar-te pelo meio!” 56Mandando sair este, ordenou que trouxessem o outro: “Raça de Canaã, e não de Judá, a beleza fascinou-te e a paixão perverteu o teu coração. 57Era assim que procedíeis com as filhas de Israel, e elas por medo sujeitavam-se a vós. Mas uma filha de Judá não se submeteu a essa iniquidade. 58Agora, pois, dize-me debaixo de que árvore os surpreendeste juntos?” Ele respondeu: “Debaixo de uma azinheira”. 59Daniel retrucou: “Também tu mentiste com perfeição, contra tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus já está à espera, com a espada na mão, para cortar-te ao meio e para te exterminar!”
    60Toda a assistência pôs-se a gritar com força, bendizendo a Deus, que salva os que nele esperam. 61E voltaram-se contra os dois velhos, pois Daniel os tinha convencido, por suas próprias palavras, de que eram falsas testemunhas. E, agindo segundo a lei de Moisés, fizeram com eles aquilo que haviam tramado perversamente contra o próximo. 62E assim os mataram, enquanto, naquele dia, era salva uma vida inocente.

    - Palavra do Senhor.
    - Graças a Deus.

    Responsório (Sl 22)
    — Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, estais comigo.
    — Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, estais comigo.
    — O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.
    — Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!
    — Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do meu inimigo, com óleo vós ungis minha cabeça, e meu cálice transborda.
    — Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

    Evangelho (Jo 8,1-11)
    — O Senhor esteja convosco.
    — Ele está no meio de nós.
    — Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
    — Glória a vós, Senhor. 
    Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Levando-a para o meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?”
    6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
    9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio, em pé. 10Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.

    — Palavra da Salvação.
    — Glória a vós, Senhor.

    Homilia
    Jesus estava ensinando o povo, era o que Ele fazia com muita maestria: ensinar, pregar, formar o Seu povo, introduzi-lo no Reino de Deus. No entanto, os mestres da Lei e os fariseus, aqueles que se opunham a Jesus, queriam criar sempre desculpas para Ele.
    Eles [mestres da Lei e os fariseus] aproveitam a ocasião e trazem uma mulher surpreendida em adultério. A lei mandava apedrejar toda mulher pega em tal situação. Jesus o Mestre da vida, acolheu tantos pecadores, falava tanto do amor e da misericórdia, o que Ele vai fazer diante dessa situação?
    Na verdade, eles queriam colocá-Lo numa situação muito difícil. Jesus é o Mestre e eles mesmo dizem: “Mestre, o que fazemos com essa mulher?”. O Mestre abaixa-se, no sinal de humildade, no silêncio interior, de reflexão, não se deixa levar pelo impulso do momento, não se deixa levar pela agitação que eles trouxeram, e vai refletir no seu coração.
    Todas as vezes que nos encontrarmos diante de situações de questionamentos, quando nos empurram na parede, não respondamos ao impulso que os outros querem nos provocar. Procuremos a serenidade, porque nela está a sabedoria de Deus!
    É puxando da terra, puxando do chão, que a sabedoria vem da humildade do coração do Senhor, que responde com uma outra provocação: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar uma pedra nela!”.
    Sabe, meus irmãos, é mais fácil atirar pedra, é mais fácil olhar os pecados dos outros, é mais fácil comentar os pecados e acusar os outros. E quando nos acostumamos a fazer isso, não temos condição de reconhecer nem os nossos pecados.
    Quando as pessoas se encontram, muitas vezes, é para comentar, para discutir e falar da vida dos outros. Poucas vezes, encontramo-nos para olhar para dentro de nós, para reconhecer a nossa própria realidade interior, para reconhecer as nossas fragilidades e os nossos pecados, porque somos tomados pelo sentimento de acusação, sentimento terrível, diabólico, sentimento que se opõe à verdade do Reino de Deus, quando queremos somente acusar e não voltamos para conhecer quem de verdade nós somos.
    A lógica e a dinâmica do Reino de Deus, é nos conhecermos profundamente, conhecer quem somos e nossa realidade. Quem conhece a si mesmo, quem conhece as suas fraquezas, quem olha para si com seriedade e profundidade nunca mais vai acusar ninguém! Em vez de atirarmos pedras, vamos levar a misericórdia do coração de Deus para as pessoas, porque é essa misericórdia que lava e purifica o coração de cada um de nós!
    Deus abençoe você!

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