Reforma da Previdência será rejeitada na íntegra, prevê deputado governista

Orgulho gaúcho: Onyx arregaça as mangas para exibir as duas paixões tatuadas no antebraço
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) puxa a manga da camisa e, com um sorriso estampado na face, exibe com orgulho as duas tatuagens no seu braço direito: o escudo do Internacional e a bandeira do Rio Grande do Sul, estado que ele sonha governar. Ex-líder do DEM, é hoje minoria em seu partido, mas continua reconhecido como importante influenciador no Congresso. Também é estrela em ascensão nas mídias sociais, onde seu nome é associado ao que alguns chamam de neoconservadorismo.
Você o conhece da televisão e provavelmente já o viu, em debates de propostas legislativas ou em sessões de CPI, nervoso, falando alto, impondo tom dramático às suas intervenções. Mas, em seu gabinete, na noite da última quarta-feira (5), estou diante de um homem amável, que fala com suavidade e estuda com os olhos a reação do interlocutor. Médico-veterinário, nascido em Porto Alegre, aparenta bem menos do que os 62 anos que tem.
Um homem que chega no gabinete do Anexo 4 da Câmara perguntando se Marco Rassier, o solícito coordenador da sua equipe de Brasília, ofereceu água, café e biscoitos ao repórter. À vontade, Onyx começa a soltar o que no jargão jornalístico chamamos de leads. Ou seja, coisas interessantes o bastante para tornarem atraente uma notícia. Geralmente, elas estão no título ou no primeiro parágrafo de uma matéria.
O gravador está desligado quando ele diz que a reforma da Previdência “já foi, acabou”. Também fala, com a cuia de chimarrão sempre por perto, que o cenário mais provável é Michel Temer se manter no Palácio do Planalto até 31 de dezembro de 2018, mas manco, com imagem ruim na sociedade e sem força no Parlamento. Melhor, sustenta o deputado, seria o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar logo a chapa Dilma/Temer e ser escolhido – “alguém, pode ser qualquer um” – para levar o barco até as eleições presidenciais.
Continua no mesmo tom diante do celular que registra a conversa. Bum! “Temer vem oferecendo o mesmo que a Dilma estava fazendo.” Pamp! “Só está fazendo o jogo do Meirelles, o Meirelles já foi incompetente no governo da Dilma e do Lula. Sonha ser o Fernando Henrique sem ter nada do apelo, da capacidade dele.” Beng! “O governo se comunica mal, já perdeu a guerra da comunicação. Sai na rua e pergunta as pessoas o que elas esperam. Elas não esperam nada. Perdeu o encanto.”
Na entrevista abaixo, você ouvirá o barulho de outros torpedos.
O senhor acredita que o TSE vai cassar a chapa?
Meu palpite é que não vai. Meu desejo não é esse, meu desejo é que casse. Na minha opinião, isso faria bem ao país do ponto de vista político, institucional e econômico, ao contrário do que pensam as pessoas que estão no governo. Tenho obviamente absoluta independência em relação ao governo Temer, por algo que digo desde o dia em que ele assumiu a Presidência: apesar de ter respeito por ele, eu não votei nele em 2014. E a maioria absoluta dos que hoje dão apoio ao governo não votaram nele. Defendi internamente, quando discutimos isso, que o Democratas não entrasse no governo, apoiasse Temer sem ter cargo no governo. Mas como era de se esperar, foi uma posição minoritária no partido, minha e de mais três ou quatro parlamentares que têm essa mesma visão.
Quais?
Caiado, Moroni [DEM-CE], Mandetta… um grupo de parlamentares que imaginava que o Democratas poderia emergir desse processo político como uma grande força de centro-direita, como opção de poder no Brasil. Lamentavelmente, não é isso que a maioria do partido pensa. Então voltamos à velha política, o velho PFL que tinha se livrado do f do fisiologismo nos seus tempos do Democratas, que se recompôs, se reorganizou, viveu no deserto da oposição. Faltou, na minha opinião, visão e ambição. O partido continua com uma visão, míope, de ser caudatário. Como não tenho vocação para ser muleta de ninguém, sempre me posicionei contrário e sempre sonhei e lutei internamente para que o partido tivesse a grandeza que o momento exigia. Nossa tese foi derrotada e hoje fazemos parte da base do governo. Temos a honra de ter um grande ministro, Mendonça Filho. A mudança que ele protagonizou no ensino médio vai, daqui a dez anos no máximo, ser reconhecida como uma das mais importantes já feitas para que o Brasil ganhe competitividade. Competitividade e qualidade a gente não arruma na universidade, arruma no ensino básico e num bom ensino médio. Qualquer dúvida a respeito disso, vai estudar a história da Coreia do Sul.
Reforma da Previdência será rejeitada na íntegra, prevê deputado governista Reforma da Previdência será rejeitada na íntegra, prevê deputado governista Reviewed by Ricardo Adriano on abril 10, 2017 Rating: 5

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