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    segunda-feira, 10 de abril de 2017

    Reforma da Previdência será rejeitada na íntegra, prevê deputado governista

    Orgulho gaúcho: Onyx arregaça as mangas para exibir as duas paixões tatuadas no antebraço
    O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) puxa a manga da camisa e, com um sorriso estampado na face, exibe com orgulho as duas tatuagens no seu braço direito: o escudo do Internacional e a bandeira do Rio Grande do Sul, estado que ele sonha governar. Ex-líder do DEM, é hoje minoria em seu partido, mas continua reconhecido como importante influenciador no Congresso. Também é estrela em ascensão nas mídias sociais, onde seu nome é associado ao que alguns chamam de neoconservadorismo.
    Você o conhece da televisão e provavelmente já o viu, em debates de propostas legislativas ou em sessões de CPI, nervoso, falando alto, impondo tom dramático às suas intervenções. Mas, em seu gabinete, na noite da última quarta-feira (5), estou diante de um homem amável, que fala com suavidade e estuda com os olhos a reação do interlocutor. Médico-veterinário, nascido em Porto Alegre, aparenta bem menos do que os 62 anos que tem.
    Um homem que chega no gabinete do Anexo 4 da Câmara perguntando se Marco Rassier, o solícito coordenador da sua equipe de Brasília, ofereceu água, café e biscoitos ao repórter. À vontade, Onyx começa a soltar o que no jargão jornalístico chamamos de leads. Ou seja, coisas interessantes o bastante para tornarem atraente uma notícia. Geralmente, elas estão no título ou no primeiro parágrafo de uma matéria.
    O gravador está desligado quando ele diz que a reforma da Previdência “já foi, acabou”. Também fala, com a cuia de chimarrão sempre por perto, que o cenário mais provável é Michel Temer se manter no Palácio do Planalto até 31 de dezembro de 2018, mas manco, com imagem ruim na sociedade e sem força no Parlamento. Melhor, sustenta o deputado, seria o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar logo a chapa Dilma/Temer e ser escolhido – “alguém, pode ser qualquer um” – para levar o barco até as eleições presidenciais.
    Continua no mesmo tom diante do celular que registra a conversa. Bum! “Temer vem oferecendo o mesmo que a Dilma estava fazendo.” Pamp! “Só está fazendo o jogo do Meirelles, o Meirelles já foi incompetente no governo da Dilma e do Lula. Sonha ser o Fernando Henrique sem ter nada do apelo, da capacidade dele.” Beng! “O governo se comunica mal, já perdeu a guerra da comunicação. Sai na rua e pergunta as pessoas o que elas esperam. Elas não esperam nada. Perdeu o encanto.”
    Na entrevista abaixo, você ouvirá o barulho de outros torpedos.
    O senhor acredita que o TSE vai cassar a chapa?
    Meu palpite é que não vai. Meu desejo não é esse, meu desejo é que casse. Na minha opinião, isso faria bem ao país do ponto de vista político, institucional e econômico, ao contrário do que pensam as pessoas que estão no governo. Tenho obviamente absoluta independência em relação ao governo Temer, por algo que digo desde o dia em que ele assumiu a Presidência: apesar de ter respeito por ele, eu não votei nele em 2014. E a maioria absoluta dos que hoje dão apoio ao governo não votaram nele. Defendi internamente, quando discutimos isso, que o Democratas não entrasse no governo, apoiasse Temer sem ter cargo no governo. Mas como era de se esperar, foi uma posição minoritária no partido, minha e de mais três ou quatro parlamentares que têm essa mesma visão.
    Quais?
    Caiado, Moroni [DEM-CE], Mandetta… um grupo de parlamentares que imaginava que o Democratas poderia emergir desse processo político como uma grande força de centro-direita, como opção de poder no Brasil. Lamentavelmente, não é isso que a maioria do partido pensa. Então voltamos à velha política, o velho PFL que tinha se livrado do f do fisiologismo nos seus tempos do Democratas, que se recompôs, se reorganizou, viveu no deserto da oposição. Faltou, na minha opinião, visão e ambição. O partido continua com uma visão, míope, de ser caudatário. Como não tenho vocação para ser muleta de ninguém, sempre me posicionei contrário e sempre sonhei e lutei internamente para que o partido tivesse a grandeza que o momento exigia. Nossa tese foi derrotada e hoje fazemos parte da base do governo. Temos a honra de ter um grande ministro, Mendonça Filho. A mudança que ele protagonizou no ensino médio vai, daqui a dez anos no máximo, ser reconhecida como uma das mais importantes já feitas para que o Brasil ganhe competitividade. Competitividade e qualidade a gente não arruma na universidade, arruma no ensino básico e num bom ensino médio. Qualquer dúvida a respeito disso, vai estudar a história da Coreia do Sul.

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