Liturgia da Palavra de hoje (22)

Primeira Leitura (Ct 3,1-4a)
Leitura do Livro do Cântico dos Cânticos.
Eis o que diz a noiva: 1Em meu leito, durante a noite, busquei o amor de minha vida: procurei-o, e não o encontrei. 2Vou levantar-me e percorrer a cidade, procurando pelas ruas e praças, o amor de minha vida: procurei-o, e não o encontrei. 3Encontraram-me os guardas que faziam a ronda pela cidade. “Vistes porventura o amor de minha vida?” 4aE logo que passei por eles, encontrei o amor de minha vida.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Responsório (Sl 62)
— A minh’alma tem sede de vós, Senhor!
— A minh’alma tem sede de vós, Senhor!
— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minh’alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água!
— Venho assim contemplar-vos no templo, para ver vossa glória e poder. Vosso amor vale mais do que a vida e por isso meus lábios vos louvam.
— Quero, pois, vos louvar pela vida, e elevar para vós minhas mãos! A minh’alma será saciada, como em grande banquete de Festa; cantará a alegria em meus lábios, ao cantar para vós meu louvor!
— Para mim fostes sempre um socorro; de vossas asas à sombra eu exulto! Minha alma se agarra em vós; com poder vossa mão me sustenta.

Evangelho (Jo 20,1-2.11-18)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.
1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. 2Então saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”.
16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto de meu Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Homilia
Essa referência ao Livro do Cântico dos Cânticos, na Liturgia de hoje, aplica-se à santa que celebramos: Maria Madalena, a discípula amada, a discípula do amor. Por que ela é discípula amada? Porque o amor de Deus a conquistou, ela foi totalmente envolvida pelo amor divino. Talvez, algumas pessoas queiram parar na Maria Madalena pecadora e especular: “Ela foi prostituta? O que ela fez?”.
O que interessa para nós é a vida velha ou a vida nova? De fato, eu não sei lhe dizer quais foram as coisas que Maria Madalena fez na vida, até porque ela não escreveu uma autobiografia e nenhum dos evangelistas ou escritores se preocuparam em fazer isso, mas a Palavra de Deus fez questão de dizer que essa mulher foi transformada pelo amor divino.
Desde o dia em que Jesus deu um sentido à vida de Maria de Magdala, ela nunca mais foi a mesma mulher. Você sabe que “o amor é forte como a morte”, nos diz o próprio Livro do Cântico dos Cânticos. O amor é uma força violenta, que entra em nós e nos transforma por dentro e por fora. As paixões humanas fazem isso do lado positivo ou do lado negativo, mas o amor divino, quando entra em nós, transforma-nos por dentro e por fora.
Quando nos encontramos com nosso Amado, Ele se torna o amor da nossa vida, e somos movidos por esse amor.
Maria foi ao encontro do seu Senhor na vida e na morte. Quando Ele estava no sepulcro, ela não foi buscar o corpo enterrado, pois ela mesmo disse: “Eu vim buscar o meu Senhor”, porque Ele transformou, deu sentido e iluminou a sua vida.
Ela chorou demasiadamente, porque chegou ao túmulo e não encontrou o Senhor. Esse choro, no entanto, não foi porque Ele havia morrido, mas porque ela queria cuidar do corpo do Senhor. Quando não O encontrou, seu coração desfaleceu. Ela queria, de todas as formas, encontrá-Lo; e quando encontrou o Senhor, estava tão atordoada, que O confundiu com o jardineiro. Mas quando o Senhor a chamou pelo nome “Maria”, ela exclamou: Rabôni, meu Senhor, meu Mestre, meu amor, o Senhor da minha vida.
A discípula amada, a primeira testemunha da Ressurreição do Senhor, foi dizer a todos: “Eu vi o Senhor! Eu O encontrei vivo e ressuscitado”. Essas palavras são, para nós exemplo e luz do quanto precisamos nos deixar, a cada dia, nos apaixonar, ser tocados e transformados pelo amor de Deus.
Enquanto o amor de Deus não envolve todo o nosso ser e não nos apaixonamos de verdade por Ele, o nosso coração não caminha na direção d’Ele. Amemos, deixemo-nos ser amados e nos transformemos em discípulos amados do Senhor.
Deus abençoe você!
Liturgia da Palavra de hoje (22) Liturgia da Palavra de hoje (22) Reviewed by Ricardo Adriano on julho 22, 2017 Rating: 5

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