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    quinta-feira, 3 de agosto de 2017

    Na Esplanada e contra Temer, apenas manifestante solitário está presente nesta tarde

    André Rhouglas bate as mãos do sapato empoeirado, senta-se e procura uma sombra atrás do carro da Polícia Militar, estacionado no gramado do Congresso Nacional. Está cansado e com sede. No último sábado, o mineiro de 56 anos deixou a casa e os filhos e se enfiou num ônibus na rodoviária de Ponte Nova (MG), a 190 quilômetros de Belo Horizonte. Foram 15 horas de viagem e 910 quilômetros, até chegar ao Planalto Central. Trouxe uma mochila com roupas, água, algum dinheiro e uma faixa de protesto contra o Congresso e o governo de Michel Temer.
    Nesta quarta-feira, 2, dia em que o parlamento vota a denúncia contra Temer, Rhouglas esperava uma multidão no gramado do Congresso Nacional. Encontrou a grama seca e um vazio absoluto da Esplanada. Nenhum outro manifestante sequer. "É uma frustração muito grande", diz ele. "Brigamos tanto em 2013 por causa de 20 centavos. Hoje não mexemos nem um dedo por centenas de bilhões que são roubados todos os dias. Ficamos parados no sofá, olhando tudo e reclamando, sem fazer nada".

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