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    terça-feira, 21 de novembro de 2017

    Cobranças de dívidas por telefone. Dicas do que fazer!

    O credor tem todo o direito de cobrar a dívida, dentro dos limites da lei, é claro! 

    Ele pode cadastrar o nome do devedor no SPC e SERASA, protestar a dívida em Cartório, mandar cartas, telefonar, mandar mensagens e entrar com processo judicial de cobrança. (Estes são os direitos do credor!)

    Todavia, a maioria das empresas de cobrança prefere utilizar táticas de tortura psicológica contra os devedores, infernizando suas vidas, ligando para os seus telefones (fixo e celular) e enviando mensagens diversas vezes ao dia, não respeitando horários, fins-de-semana ou feriados e ainda ligando para vizinhos, parentes, amigos e para eu trabalho. 

    Vale lembrar que estas pessoas que ligam cobrando, os chamados operadores de “callcenter” das empresas de cobrança são pessoas treinadas para falar aquilo que passaram para elas através de uma cartilha de procedimentos, ou seja, elas, muitas vezes, “não sabem o que estão falando”.

    São alheios a qualquer outro fato existente, alheios à lei e aos direitos dos consumidores para os quais estão ligando, apenas sabendo repetir aquilo que foram treinados para falar.

    Não tente argumentar com eles, pois não há como argumentar com a ignorância (ignorância porque ignoram os fatos e os direitos). 

    Outro dia recebi uma ligação de uma empresa de cobrança de um cartão de crédito de um grande banco. Era sobre uma dívida de um cliente que estava tentando resolver de forma extrajudicial (sem entrar na justiça). 

    Tentei argumentar com a atendente, que mais parecia um ’papagaio’ e queria, de qualquer maneira, me dar aulas sobre direitos do consumidor (na verdade ela queria me ensinar os direitos do fornecedor porque, para ela, o consumidor não tinha qualquer direito, só obrigações). 

    Era uma verdadeira metralhadora de ignorância. Cito abaixo algumas e entre parênteses a explicação do porquê chamo de ignorância: 

    “agora a dívida pode ser cobrada na justiça mesmo depois de 10 anos”(Não é verdade! O prazo da lei é de 5 anos para cobrança judicial da dívida - artigo 206, § 5º do Novo Código Civil); 

    “o nome do devedor ficará para sempre no SPC e SERASA” (Não é verdade! O prazo da lei é de 5 anos para manunteção do cadastro a contar da data de vencimento da dívida e não da data da inclusão do cadastro - clique aqui e leia a matéria completa); 

    “o banco irá tirar a sua casa ou apartamento” (Se a casa ou apartamenento for o imóvel único da pessoa ou da família não pode ser penhorado para pagamento deste tipo de dívida, conforme determina a lei); 

    “o banco pode penhorar o seu salário” (Não é verdade! O salário, vencimentos, subsídios, soldos, remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios; as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal não podem ser penhorados para pagamento deste tipo de dívida, conforme determina a lei); 

    “nós temos o direito de ligar para o devedor quantas vezes quisermos, a qualquer dia, horário, inclusive para o seu trabalho”(Não tem não! Lembre-se de que “o direito de um termina onde começa o do outro!” A pessoa tem direito a privacidade e ligar para sua casa sem sua autorização é invadir sua privacidade. Ligar para o trabalho, conhecidos ou para vizinhos expondo à dívida para outras pessoas é caso de dano moral - Leia mais em É crime fazer o devedor passar vergonha)


    Como eu não podia mais aguentar aquele turbilhão de ignorância, acabei por desligar o telefone. Sei que foi má educação de minha parte, mas ...Ah, que alívio para os meus ouvidos! 

    Ao tentar falar por telefone com meu cliente não consegui, porque a atendente de telemarketing havia ligado antes de mim para infernizar a vida do pobre infeliz. 

    Quando finalmente consegui falar com ele acalmeio-o, explicando o que pode e não pode.

    Entrei em contato com o Setor Jurídico do banco e fechamos um acordo por um valor justo e parcelado, ou seja, resolvi o problema do consumidor que queria pagar e do banco que queria receber!

    É incrível ver como a informação correta, o conhecimento das leis, de como proceder em cada caso e o interesse em resolver a situação de forma justa, faz diferença nesta hora. 

    De um lado da linha há uma pessoa muito bem treinada para falar coisas que não são verdades, fazendo um verdadeiro terrorismo psicológico contra o consumidor que está do outro lado da linha, totalmente fragilizado, pois desconhece os seus direitos mais básicos.

    Quem leva a melhor? Eles, é claro! 

    Portanto, o conhecimento faz a diferença e o consumidor sem conhecimento vai sempre perder! 

    Bem, então o que fazer nestes casos? Certamente me perguntarão!

    O melhor seria que as pessoas não gastassem além do que podem pagar. Isto evitaria uma série de problemas!

    Porém, estamos aqui para tentar ajudar a resolver um problema que já existe. Então, se a sua situação é parecida com a que citei acima, primeiro de tudo você deve conhecer os seus direitos (perca um pouco de seu tempo e leia o conteúdo do site! É de graça!). 

    Segundo: Procure o seu credor e tente fazer um acordo em um valor justo e que consiga pagar, sem comprometer totalmente sua renda!(Você pode tentar através do site www.consumidor.gov.br. Se não conseguir, em alguns Fóruns de Justiça há setores especializados em tentar a renegociação das dívidas com os credores. Portanto, procure o Fórum de Justiça mais próximo de você e verifique se não há este serviço. A Defensoria Pública também pode ajudar! )

    E no caso das cobranças abusivas por telefone

    Lembre-se que ’ninguém é obrigado a ficar recebendo e atendendo cobranças pelo telefone’. Se o credor quer cobrar a dívida, utilize o meio próprio, ou seja, proteste a dívida no cartório, cadastre no SPC ou SERASA e entre na justiça!

    Portanto, se você for vítima de cobranças abusivas por telefone, tente bloquear o número chamador (atualmente os aparelhos celulares disponibilizam desta ferramenta).

    Faça uma reclamação no site www.consumidor.gov.br.
    Se mesmo assim não resolver e continuarem cobrando via ligações e mensagens você tem o direito de entrar na justiça, inclusive através das pequenas causas, e pedir uma ordem para o juiz pedindo uma ordem judicial por ‘obrigação de não fazer’.
    As pessoas costumam falar muito sobre a ‘obrigação de fazer’ a qual consiste no pedido judicial para que a justiça determine a alguém que faça algo. 

    Todavia, muitos desconhecem que a lei também traz a ‘obrigação de não fazer’

    Portanto, o consumidor que se sentir perturbado em sua privacidade e sua moral pelas constantes ligações de cobrança, tem todo o direito de entrar na justiça com uma ação por ‘obrigação de não fazer’ para exigir contra a empresa de cobrança e contra o credor que parem de lhe ligar e que o juiz fixe uma multa diária de um salário mínimo (por exemplo) por cada vez que descumprirem a ordem judicial e ligarem. 

    Como provar as ligações? Faça um print screen (tire uma foto da tela com os números das ligações e imprima) ou exija da companhia telefônica a discriminação das ligações realizadas para o seu número.

    Em caso de ligações para vizinhos, parentes, amigos e para o trabalho, basta pegar testemunhas e provas das ligações e entrar com uma ação contra a empresa por danos morais pelo fato das ligações e da exposição terem lhe causado constrangimento ilegal. Procure um advogado de sua confiança, as pequenas causas ou a defensoria pública (estes dois últimos diretamente no Fórum de Justiça mais próximo de sua casa).

    Mas não esqueça que estas dicas são apenas um paliativo em relação as cobranças abusivas. Portanto, você deve tentar resolver o problema de uma vez por todas, procurando seu credor (use o site www.consumidor.gov.br) ou serviço de renegociação de dívidas fornecido em alguns Fóruns de Justiça para tentar fazer um acordo e quitar a dívida!

    Fonte: SOSConsumidor.com.br

    Fonte: SOS Consumidor - 14/11/2015

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