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    quarta-feira, 15 de novembro de 2017

    Dá para morrer de tanto calor? Sim, e de 27 maneiras diferentes

    Há um bom número de coisas que podem dar errado caso você passe calor demais por muito tempo. Camilo Mora, pesquisador da Universidade do Havaí resolveu investigar e cravou pelo menos 27. No estudo, Mora e sua equipe reuniram a literatura científica da área para analisar os impactos das altas temperaturas no corpo humano. No fim, eles chegaram a 5 mecanismos fisiológicos que atuam em 7 órgãos diferentes.
    Os danos mais severos incluem a formação de coágulos no cérebro e danos no abastecimento de sangue dos órgãos vitais. Tudo por conta de uma resposta do hipotálamo, que desvia o fluxo sanguíneo do que importa para atender uma demanda mais urgente: dar um refresco à pele.
    Priorizar a pele em relação até os outros órgãos tem cara de medida desesperada. E é mesmo. Principalmente porque, fazendo isso, diversas partes importantes acabam sendo comprometidas  o que é chamado cientificamente de isquemia. Como você pode ver nesta tabela, feita pelos próprios pesquisadores, os danos são generalizados. “Morrer durante uma onda de calor é tipo um filme de terror com 27 finais ruins para você escolher”, comentou Mora, em comunicado.Vamos às 27 possibilidades, divididas por área:
    1 – O suprimento inadequado de sangue pode ter como efeitos diretos a morte cerebral, ataques cardíacos, formação de buracos no intestino, falência do fígado e dos rins, má circulação no pâncreas.
    2 – O calor pode tornar o ambiente tóxico para as células. Longe de sua temperatura ótima de funcionamento, os 37.5ºC, as células começam a entrar em colapso. A morte em massa dos neurônios, células cardíacas, do intestino, rins, fígado e pulmões, pode fazer cada um desses órgãos parar  por tempo suficiente para que alguém bata as botas.
    3 – Ativa a resposta inflamatória do organismo, causando inflamações no cérebro, intestino, fígado, rins, pulmões, pâncreas e coração.
    4 – Contribui para a formação de coágulos. Tais estruturas, quando produzidas descontroladamente, bloqueiam a passagem de sangue em órgãos como cérebro, intestino, rins, fígado e pulmões, o que também pode ser fatal.
    5 – Causa morte das células da musculatura esquelética, liberando mioglobina (proteína dispensada quando há danos nos músculos) no sangue. Ela atrapalha o funcionamento ideal de rins, fígado e pulmões — o que pode conduzir a uma hemorragia generalizada dentro de poucas horas.
    Sabe-se que os efeitos mais devastadores do calor surgem do encontro das altas temperaturas com níveis elevados de umidade. Uma pessoa sobrevive poucas horas se exposta a uma temperatura de 35ºC e umidade de 85%. Além disso, mesmo que o calor não chegue a matar você, seus efeitos podem produzir danos significativos ao organismo.
    Pode parecer um tanto impossível que alguém perca sua vida por conta de temperaturas que passaram da conta, é exatamente isso que costuma acontecer em ondas de calor intenso. A mais devastadora atingiu a Europa em 2003, e tirou a vida de 70 mil pessoas. Em 2010, foi a vez da Rússia, onde mais de 10 mil morreram  outra recente foi a de 2015, na Índia, que matou 2 mil.
    O que os cientistas temem é que, com o aumento das temperaturas, eventos desse tipo se tornem cada vez mais comuns já são cerca de 800, desde 1980. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, 2017 se juntará a 2016 e 2015 como no top 3 de anos mais quentes da história.
    O estudo científico foi publicado no jornal Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes.

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