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Liturgia da Palavra de hoje (23)

Primeira Leitura (Sb 2,12.17-20)
Leitura do Livro da Sabedoria:
Os ímpios dizem: 12“Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina. 17Vejamos, pois, se é verdade o que ele diz, e comprovemos o que vai acontecer com ele. 18Se, de fato, o justo é ‘filho de Deus’, Deus o defenderá e o livrará das mãos dos seus inimigos.
19Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; 20vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Responsório (Sl 53)
— É o Senhor quem sustenta minha vida!
— É o Senhor quem sustenta minha vida!
— Por vosso nome, salvai-me, Senhor;/ e dai-me a vossa justiça!/ Ó meu Deus, atendei minha prece/ e escutai as palavras que eu digo!
— Pois contra mim orgulhosos se insurgem,/ e violentos perseguem-me a vida;/ não há lugar para Deus aos seus olhos./ Quem me protege e me ampara é meu Deus;/ é o Senhor quem sustenta minha vida!
— Quero ofertar-vos o meu sacrifício,/ de coração e com muita alegria;/ quero louvar, ó Senhor, vosso nome,/ quero cantar vosso nome que é bom!

Segunda Leitura (Tg 3,16-4,3)
Leitura da Carta de São Tiago:
Caríssimos: 3,16Onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más.
17Por outra parte, a sabedoria que vem do alto é, antes de tudo, pura, depois pacífica, modesta, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem fingimento. 18O fruto da justiça é semeado na paz para aqueles que promovem a paz. 4,1De onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm, justamente, das paixões que estão em conflito dentro de vós?
2Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão está em que não pedis. 3Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Anúncio do Evangelho (Mc 9,30-37)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 30Jesus e seus discípulos atravessavam a Galileia. Ele não queria que ninguém soubesse disso, 31pois estava ensinando a seus discípulos. E dizia-lhes: “O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão. Mas, três dias após sua morte, ele ressuscitará”.
32Os discípulos, porém, não compreendiam estas palavras e tinham medo de perguntar. 33Eles chegaram a Cafarnaum. Estando em casa, Jesus perguntou-lhes: “O que discutíeis pelo caminho?”
34Eles, porém, ficaram calados, pois pelo caminho tinham discutido quem era o maior. 35Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!”
36Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: 37“Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Homilia
A pergunta vem do coração de Jesus, e Ele se dirige a Seus discípulos e pergunta a eles: “O que discutem pelo caminho?”. Aquilo que nós conversamos é aquilo com o que nos preocupamos. Colocamos sempre as nossas preocupações, as nossas inquietações ou imposições nas nossas discussões e nas nossas conversas.
Não é a toa que, muitas vezes, gastamos nossas energias para discutir assuntos e situações com as pessoas. Não há problema em discutir e conversar, o problema das conversas é quando elas querem impor uma maioridade. E “maioridade” quer dizer sermos os maiores, os certos, termos uma ideia única que deve prevalecer sobre as demais. Isso é falta de humildade. E quando não somos humildes, não sabemos acolher o que vem do outro, só as nossas ideias são certas, o que pensamos está correto, o que vale é o que falamos, não sabemos ouvir o outro.
Na época de Jesus, a criança não era ouvida, não tinha voz nem vez, o que uma criança falava e nada eram a mesma coisa. Jesus vem, pega uma criança, a coloca no meio e diz que o Reino dos Céus é de quem se parece com ela. Não é porque as crianças são pequenas no tamanho, mas porque elas são pequenas na pureza e na insignificância.
Deus é aquele que dá importância ao insignificante e ao sem importância. Não podemos querer ser os donos da razão, saber mais, poder mais, estar sempre à frente dos outros; precisamos, em primeiro lugar, saber ouvir.
A grande sabedoria da vida consiste em saber escutar o outro, não necessariamente concordar com ele, mas um grande gesto de amor é saber ouvir o que o coração do outro tem a dizer. Podemos dispor o que achamos, pensamos e sentimos, mas jamais impor o que queremos como se fosse a única certeza da vida.
Os cristãos precisam saber, cada vez mais, acolher, em nome de Jesus, as crianças; mas precisam acolher as outras pessoas também, porque elas podem parecer insignificantes, entretanto, para Deus ninguém é insignificante ou sem importância.
Jesus é aquele que faz o sem importância nenhuma tornar-se a causa mais importante; é aquele que faz com que causas que achamos as mais importantes do mundo tornem-se sem nenhuma importância.
Queremos dar ouvidos à Palavra de Deus para ressignificar a nossa vida a partir da minoridade, da humildade e não do sentimento de grandeza e superioridade de nos sentirmos melhores e mais importantes que o próximo.
Deus abençoe você!
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Sobre Ricardo Adriano

Sou pedagogo de formação, amo música, livros, poesias, trabalho com jardinagem e tudo um pouco, já fiz "um pouco". Sou amante da vida, da informação, das notícias que são levadas a você leitor (a). Estamos aqui para interagir. Obrigado por acessar este espaço.

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